14/10/2019 às 10h59min - Atualizada em 14/10/2019 às 10h59min

Polícia Civil perdeu imagens dos assassinos de Marielle no dia do atentado

Juliana Ribeiro
BNews
Foto: reprodução
Policiais da Delegacia de Homicídios do Rio perderam "imagens relevantes" que possibilitariam a identificação dos assassinos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, registradas cerca de três horas antes do atentado ocorrido em 14 de março de 2018. As informações são do Uol que confirmou com fontes ligadas à investigação conduzida pelo órgão da Polícia Civil do Rio.

De acordo com denúncia feita pelo Ministério Público de Rio de Janeiro (MP-RJ) e aceita pela Justiça, o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz usaram um Cobalt prata com placa clonada para cometer o duplo homicídio no bairro de Estácio, no centro do Rio. Mas, ainda não há nenhuma prova contundente de que os dois estavam no veículo. As defesas dos réus negam que eles tenham cometido o crime.

No relatório produzido pela delegacia, a respeito do trajeto percorrido pelas vítimas e os assassinos, a primeira imagem obtida do carro com placa clonada é registrada às 17h34 daquele dia, na localidade conhecida como Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

Cerca de 40 minutos depois, às 18h16, as câmeras de um estabelecimento comercial flagraram o mesmo carro na Tijuca, bairro da zona norte do Rio, onde Marielle residia com a companheira Mônica Benício. A próxima imagem do veículo surge às 18h44, já nas proximidades da rua dos Inválidos, na Lapa, onde a vereadora participou de um debate antes de ser assassinada.

Segundo o Uol, os agentes da delegacia obtiveram outras "imagens relevantes" gravadas neste intervalo de 28 minutos e que foram registradas pelas câmeras desse estabelecimento na Tijuca. O material possibilitaria a identificação dos ocupantes do Cobalt prata.

Os policiais foram ao local logo após o atentado, salvaram as imagens em um pendrive e retornaram cerca de 15 dias depois sob alegação de que tinham perdido o material. Porém, nesta ocasião não foi possível recuperar as imagens.

Segundo o Uol, o delegado Ginilton Lages, primeiro a chefiar as investigações do crime, admitiu em depoimento à Justiça que houve falhas na busca pelas imagens dos assassinos no trajeto percorrido no dia do atentado. De acordo com ele, os policiais coletavam as imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos comerciais localizados ao longo do trajeto do carro em pendrives, mas, ao submeter o material ao setor responsável, descobriam que os arquivos haviam sido salvos em “formato errado”.

Procurada, a Polícia Civil do Rio afirmou apenas que o "caso está sob sigilo".
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