15/10/2019 às 10h45min - Atualizada em 15/10/2019 às 10h45min

Psicopatia é traço de homem investigado por 40 estupros, afirma psicóloga

Juliana Ribeiro
BNews
Foto: Vagner Souza/BNews
Essa é a análise da psicóloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM), Darlane Andrade, sobre o caso do auxiliar de serviços gerais, identificado como Luís Alberto dos Santos Farias, 35 anos, que é acusado de ter cometido ‘’pelo menos’’ 40 estupros, em Salvador e Região Metropolitana, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA). O acusado confessou 13 estupros.  

A agressividade atrelada ao ato de forçar o sexo sem consentimento (estupro) pode ser validada pela cultura machista, segundo Darlane. ‘’Essa psicopatologia não é só individual, o homem pode ter traços de psicopatia, mas a cultura tem isso de validar alguns comportamentos agressivos dos homens, que eles não vão atender como agressivos, só vão entender que tem que fazer isso’’.  

Além da legitimidade da violência contra a mulher, o machismo – comportamento fundamentado no poder do homem sobre a mulher, contribui para que homens, que cometem estupros, não compreendam que seja um crime e não tenham sentimento de culpa. Para a psicóloga, o desconhecimento do que é a violência sexual é uma característica da masculinidade tóxica – uma das ‘ramificações’ do machismo.  

‘’Essa patologia tem a ver com a construção de masculinidade, que não dá limite para os homens, ele tem que ser o viril, tem que ser o comedor, então qualquer oportunidade que ele se encontre vai forçar o sexo com as mulheres e não vai sentir culpa. Na cabeça deles é uma coisa natural, em função de toda essa construção da masculinidade que é violenta, agressiva e está na base do dispositivo da virilidade. O homem tem que ser ‘eficaz’’’, disse Darlane Andrade. 

Dados –  O 13ª Anuário de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em setembro deste ano, contabilizou mais de 66 mil casos de violência sexual em 2018, no Brasil.  Esse é o número mais alto desde 2009, quando a tipificação do crime de estupro foi alterada no Código Penal brasileiro.  
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