16/10/2019 às 17h14min - Atualizada em 16/10/2019 às 17h14min

Após declarações machistas, comentarista da Jovem Pan é demitido

Juliana Ribeiro
Bahia.ba
Foto: Reprodução/Jovem Pan News Fortaleza
Após afirmar que “mulher deve tomar conta da casa, do marido e dos filhos” e que “quem não gostar, tire a calcinha e pise em cima”, o comentarista Daniel Campelo foi demitido da Rádio Jovem Pan de Fortaleza nesta terça-feira (15).

A declaração de cunho machista e misógino foi feita durante a transmissão da partida entre Ceará e Avaí, no domingo (13), e reiterada na segunda-feira (14) em programa da emissora. Antes da demissão, uma nota assinada em conjunto por coletivos populares, antifascistas e feministas de torcedores de diversos clubes repudiaram a explanação de Campelo.

O episódio que culminou com a demissão de Campelo teve início quando o narrador Gomes Faria questionou Campelo sobre a atuação da assistente Andrea Izaura Maffra Marcelino de Sá na partida entre Ceará e Avaí, disputada no Castelão, na capital cearense.

Faria disse que “as mulheres estão começando a tomar conta da arbitragem no futebol brasileiro” e questionou Campelo sobre tal tendência. “Acho que mulher deve tomar conta é da casa. E do marido. E dos filhos”, respondeu o comentarista.

No dia seguinte, durante programa na emissora, Campelo foi além: “Não disse brincando, não. Repito aqui. Quem não gostar tire a calcinha e pise em cima. Não tenho nada com isso. Não dou satisfação porque é mulher”, declarou.

Ao ser rebatido pelos companheiros de bancada, o jornalista não perdeu a oportunidade de fazer mais uma afirmação machista. “Eu tenho meu ponto de vista. Negócio de mulher metida com macho dentro do estádio. Eu adoro mulher. Melhor do que uma mulher, só duas”, disse.

“Negócio de futebol não dá certo. Até para a mulher entrar em campo… O árbitro antes de o jogo começar vai no túnel dos jogadores, e os jogadores estão tomando banho. A mulher vai entrar lá como, com os jogadores todos pelados? É por isso que tem as marias-chuteiras”, completou.

A série de declarações misóginas motivou alguns coletivos de torcedores, sobretudo os ligados à luta pela maior presença feminina nos estádios, a escrever uma nota condenando a atitude do jornalista.

“Seus comentários mostram a sua incapacidade de estar à frente de qualquer comentário esportivo, incitam ainda mais o ódio contra as mulheres e colocam em risco a integridade das torcedoras e trabalhadoras presentes”, diz a nota, assinada por Movimento Toda Poderosa Corinthiana, Loucas por ti Corinthians, Corigão Antifa, Movimento Alvinegras (Corinthians), Resistência Azul Popular (Cruzeiro), Força Feminina Colorada (Internacional), Coletivo Democracia Santacruzense (Santa Cruz), Atleticaníssimas (Atlético-MG), Fluminense Antifascista, Brigada Marighella/Dandara (Vitória), Verdonnas (Palmeiras) e Boteco das Torcedoras.

“É intolerável e inconcebível assumir uma postura dessas empunhando um microfone. Não vai passar. Não aceitaremos. Diremos quantas vezes mais for necessário: o lugar da mulher é onde ela quiser”, concluiu o comunicado.

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