21/10/2019 às 09h30min - Atualizada em 21/10/2019 às 09h30min

Pronto atendimento conta com estrutura precária em Monte Gordo

Juliana Ribeiro
A Tarde
Foto: reprodução
O Pronto Atendimento (PA) do distrito de Monte Gordo, em Camaçari, nem de longe se enquadra nas exigências estruturais mínimas estabelecidas pelo Ministério da Saúde (MS) para unidades voltadas a casos de urgências e emergências. A estrutura  passa longe de ser a adequada para  oferecer aos  pacientes um bom atendimento. Mas esse problema parece ser apenas a ponta do iceberg da situação complicada que as unidades da cidade que atendem casos considerados de média complexidade enfrentam.

E não é preciso sequer entrar na unidade para perceber que o prédio, alugado pela prefeitura por cerca de R$ 4 mil, precisa de uma intervenção. E urgente. A ineficiência estrutural, somada com atendimento, que, de acordo com a população, deixa a desejar, tem levado muitos moradores a procurar suporte médico em distritos vizinhos, o que acaba causando um aumento da demanda em outras unidades e, consequentemente,  um tempo maior de espera.

Na manhã de quinta-feira, 17, a dona de casa Eliane Souza, 26 anos, deixava a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Arembepe. Mesmo enfrentando uma distância considerável entre um distrito e outro, ela, em nenhum momento, cogitou a possibilidade de ir até o PA de Monte Gordo, que fica ao  lado da sua casa. De acordo com Eliane, os problemas por lá não são apenas estruturais. “É uma desorganização. Moro lá mas prefiro vir até Arembepe, pelo fato de sempre faltar medicação e recorrentes perdas de fichas no PA. Não é apenas eu que venho, muitas pessoas acabam recorrendo à UPA”, disse. 

A gestão municipal  tem consciência de que o espaço não é o mais adequado para os atendimentos. Até porque é por lá que casos considerados de média complexidade chegam todos os dias, uma média de 120 pacientes. No verão, por se tratar de uma área turística, esse número sobe cerca de 25%.

Na entrada da unidade, que possui  oito leitos e dois consultórios, uma parte da porta de vidro já não existe mais. O que tem ajudado a separar a rua da recepção é um pedaço de madeira. Já dentro do PA, a cena é ainda pior. O espaço, que lembra a estrutura de um grande galpão, sofre com infiltrações que já tomaram conta de boa parte das paredes e teto. O que separa uma sala de outra são divisórias de madeira muito utilizadas em ambientes que servem de escritório. Cena que não pode ser vista em nenhum ambiente hospitalar, tampouco de uma cidade que possui a segunda maior arrecadação do estado.


Perfil

Com população estimada em 161 mil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município é uma potência industrial e detém a segunda maior arrecadação do estado.

O titular da Secretaria de Saúde (Sesau), Elias Natan, não foge da responsabilidade que a pasta precisa intervir no espaço. De acordo com ele, já estava em pauta na agenda da prefeitura o processo de licitação. Ele garantiu que na sexta-feira (18) a prefeitura faria um chamamento público. Nada foi publicado no Diário Oficial nesse dia. O equipamento, ainda de acordo com ele, é mantido com recursos próprios.

“Já temos um projeto de requalificação para aquela unidade. No momento que concluirmos a licitação ela vai funcionar em outro espaço. Será uma intervenção grande. Lá, realmente as condições estruturais são ruins, mas não temos problemas de recursos humanos”, justificou.


Fachada do PSF do bairro Lama PretaFachada do PSF do bairro Lama Preta


Outros problemas

O problema, de acordo com o advogado André Luiz da Silva, 30, perpassa a estrutura física. Ele conta que, no mês passado, o seu avô, de 80 anos, chegou ao pronto atendimento já sem vida. Para a transferência até o Instituto Médico Legal (IML) era preciso que o médico de plantão emitisse um atestado de óbito, mas, naquele momento, o documento estava em falta e o único disponível havia sido preenchido de forma errada pelo profissional. Na falta do documento a sugestão foi colocar o ancião já sem vida no carro da família até a UPA de Arembepe, onde, possivelmente, haveria o documento. 

A declaração é impressa em papel especial carbonado e distribuído de forma gratuita pelo  Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi) da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). Quando questionado sobre a ausência do material, o médico, ainda de acordo com ele, disse que não estava faltando apenas aquilo, mas uma série de materiais, como antibióticos. “A partir daí,  comecei a observar o local totalmente sujo, inclusive, insetos circulavam ao lado do corpo do meu avô”, diz.

O secretário afirmou que encontrou a secretaria oferecendo apenas 20% de todos os remédios que fazem parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename). Agora, 85% desse medicamentos estão disponíveis, de acordo com ele.

ESTAMOS DE OLHO CAMAÇARI
Camaçari, localizada na região metropolitana de Salvador (RMS),  é a oitava cidade visitada pelo ‘Olhar Cidadão’ nesta terceira fase do projeto. Por lá, o serviço de urgência e emergência tem se mostrado falho na hora de atender os pacientes, que acabam esperando um tempo maior do que o adequado, ou, quando não, voltam para casa sem atendimento. O problema é ainda mais grave no Pronto Atendimento (PA) do distrito de Monte Gordo, onde a estrutura  da unidade de saúde não atende às exigências mínimas do Ministério da Saúde (MS) para unidades que dão suporte aos casos considerados de média e alta complexidades. Na edição do último domingo mostramos que em São Francisco do Conde postos de saúde começaram a ser construídos há quase 10 anos, mas, até hoje, nunca foram entregues à população.

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