22/10/2019 às 14h18min - Atualizada em 11/11/2019 às 00h00min

Polêmicas à parte, Polimetilmetacrilato apresenta vantagens em tratamentos estéticos e reparadores

PMMA ganha reconhecimento internacional após estudos apontarem a segurança do polimetilmetacrilato para preenchimento facial e de glúteo. O produto também é usado para plásticas reparadoras e fornecido pelo Ministério da Saúde.

DINO

Em tempos de harmonização facial e estimuladores de colágeno, é preciso falar sobre os usos do Polimetilmetacrilato. Por que ele pode ser mais vantajoso do que os preenchedores temporários? Por ser um preenchedor permanente, o produto não necessita de reaplicação a cada seis meses como o outro. O procedimento se torna mais econômico e se evita uma nova exposição do paciente ao tratamento. Além disso, os produtos absorvíveis perdem o efeito ao longo dos meses, sendo que no final a presença da substância é mínima. O PMMA também tem sido utilizado em concentrações e dosagens menores como estimulador de colágeno, proteína que dá sustentação à pele. A dermatologista e cirurgiã dermatológica Fernanda Bortolozo, com consultório em Porto Alegre e São Paulo, que desenvolveu a técnica BioLift, diz que o tratamento apresenta ótimos resultados na face e corpo para combater a flacidez. A estimulação segue durante 5 anos, com duas a três sessões de aplicação. Os intervalos entre elas são de 30 dias.

Implante para plástica reparadora - Desde 2004, o Ministério da Saúde fornece o PMMA para o tratamento de lipoatrofia facial de portadores de HIV. Os pacientes perdem gordura no rosto por conta do tratamento antiviral e o preenchedor recupera o volume. O Polimetilmetacrilato é utilizado também para corrigir a atrofia de membros em portadores de poliomielite, correção de sequelas de acidentes - como afundamento de crânio, além de malformações congênitas como a Síndrome de Poland (falta de musculatura no tórax) e outras deficiências de volume. O produto é licenciado pela ANVISA para preenchimentos em diversas especialidades médicas e odontologia, usado há mais de 30 anos. Seu grande benefício é a durabilidade e a compatibilidade com o organismo humano. O Consenso Brasileiro de uso do PMMA estabeleceu as normas técnicas para uso da substância, os cuidados e as contraindicações, tudo sendo observado os preenchimentos terão sucesso.

No Brasil, o PMMA é muito utilizado para o preenchimento de glúteos. A Revista Plastic and Reconstructive Surgery, ligada à Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, publicou em agosto deste ano um estudo de médicos brasileiros sobre a segurança do produto para este tipo de procedimento. O Polimetilmetacrilato apresentou apenas 1,88% de efeitos colaterais em 1681 pacientes analisados. Índice menor comparado a outras técnicas como implante de silicone e lipoescultura. Os médicos estudaram os casos que passaram pelo procedimento nos últimos dez anos, sendo que o total de aplicações foi de 2770.

O preenchimento com o produto, chamado bioplastia, já é realizado há 30 anos. Até a aprovação da ANVISA, em 2006, os especialistas utilizavam marcas importadas. O Dr. Roberto Chacur, que também é autor do livro "Ciência e Arte do Preenchimento" (Editora AGE, 2018), é um dos autores do levantamento. O cirurgião ressalta que os casos de complicações divulgados na mídia, geralmente, não foram feitos com PMMA. "O preenchimento com PMMA é uma alternativa segura para o aumento dos glúteos", diz o especialista. Produtos como hidrogel e silicone industrial, que são proibidos para preenchimentos, são oferecidos como se fossem Polimetilmetacrilato. Vale destacar que o tratamento com PMMA deve ser feito por médico com conhecimento técnico e o produto regulamentado pelos órgãos de saúde. O estudo também cita outras pesquisas que apontaram taxas de 30% de complicações nos casos de procedimentos com implante de silicone e 10% em procedimentos de lipoescultura. Para os médicos que desenvolveram o trabalho, o preenchimento com PMMA é uma alternativa segura para o aumento dos glúteos.

Em outubro, a revista Dermatologic Surgery publicou um estudo sobre o uso de preenchedores nos Estados Unidos. Foram analisadas informações do FDA entre 1993 e 2014. Das 3.782 complicações com preenchimentos dérmicos, 44% envolveram ácido hialurônico, 40% ácido poli-L-láctico, 15% hidroxilapatita de cálcio e menos de 1% por uso de polimetilmetacrilato. Entre os problemas mais comuns apontados estavam: nódulos, infecção, reação alérgica, isquemia e inchaço.


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