11/11/2019 às 14h00min - Atualizada em 11/11/2019 às 14h00min

Camaçari: Candidatura de mulher de Caetano ainda enfrenta resistências no PT

Juliana Ribeiro
Política Livre
Foto: reprodução
Em qualquer disputa, a fragilidade de um jogador trabalha em favor de seu adversário. É exatamente esta máxima que tem flertado com o campo da oposição ao atual prefeito Elinaldo Araújo (DEM) em Camaçari . Enquanto ele, com a máquina pública em mãos, ajusta questões enfrentadas nos três primeiros anos de sua gestão e se capitaliza no quesito simpatia popular, a oposição, mais precisamente o Partido dos Trabalhadores (PT), vive uma crise interna regada a indignação e muitas insatisfações – públicas ou veladas – em torno da provável escolha, ou “imposição” como alguns dizem, de Ivoneide, esposa do ex-deputado Luis Caetano, para a corrida eleitoral de 2020.

Internamente, o PT de Camaçari vive um dilema básico quando se debruça nas eleições do ano que vem: construir um projeto coletivo que garanta um programa e um projeto para a cidade, tendo a população como parte e fim desse processo, ou o aval para, como é comum se ouvir nos bastidores, um projeto pessoal/familiar, no qual é preponderante a figura impositiva de Caetano.

Enquadrado na Lei da Ficha Limpa e condenado pela Justiça Eleitoral, Caetano foi impedido de assumir o mandato de deputado federal no último ano e segue inelegível, conforme decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Logo, apresentar o nome da esposa e elegê-la prefeita nas próximas eleições é pavimentar o caminho para permanecer vivo no cenário político e, quem sabe, seu próprio retorno no futuro.

Dado o avanço da questão, o burburinho é de que nem todos os insatisfeitos tem a coragem de falar abertamente sobre a situação. O embate direto tem ficado quase exclusivamente na voz do ex-deputado Bira Corôa que, em conversa com este Política Livre, afirma que “não questiona o nome, mas o método da escolha”, já tendo confessado sua total insatisfação ao senador Jaques Wagner (PT) e ao governador Rui Costa (PT).

“Eu não estou tranquilo com o nome de Ivoneide. Não acho que reúne nesse momento condição para fazer o embate político, a capacidade administrativa e a relação política com os segmentos históricos do município. Nada contra o nome dela exatamente. Eu estou voltado para um debate político, para a sociedade apresentar programa e projeto. Nome para mim é secundário, mas precisa ser alguém com capacidade de conduzir o programa e o projeto dessa frente”, enfatiza Bira.

“Meu questionamento é contra o método que está sendo utilizado, a forma de imposição. É uma política que para garantir o nome dela tem que se matar todos os outros nomes possíveis de serem aglutinados. É uma política equivocada. Usou o mecanismo de desgaste de alguns nomes e tem criado internamente no PT uma insatisfação, uma indignação”, acrescenta.

Dentre os nomes petistas “matados” ao longo do processo estão o do próprio Bira Corôa, o da ex-deputada Luiza Maia, além do dos vereadores Téo Ribeiro e Marcelino. A situação é tão grave que, há alguns meses, Marcelino, figura forjada no PT, chegou a cogitar mudar de sigla.

O medo que paira é que o PT, liderado por Caetano, repita a mesma fórmula aplicada quando da escolha de Ademar Delgado, que, eleito, rompeu com o petista, levando o partido à derrota para Elinaldo em 2016, numa experiência avaliada como profundamente negativa para a legenda.

“A linha que está sendo dada em Camaçari é seguramente um passo em falso que pode nos levar a garantir a reeleição do prefeito que aí está, mesmo ele estando mal avaliado na gestão. Nós pagamos um preço muito alto com a imposição da última gestão, quando Caetano colocou para seu substituto Ademar e impôs a todos nós. Eu fiz esse mesmo debate, mesmo discurso, a mesma contestação, fiquei até isolado”, completa Bira Corôa.

Mas nem tudo é conflito, e a construção da pré-candidatura de Ivoneide ganhou reforço esta semana. Conforme anunciado por este Política Livre, o deputado estadual Junior Muniz (PP), retirou sua pré-candidatura à Prefeitura de Camaçari em prol da esposa do ex-deputado federal Luiz Caetano (PT). Segundo Muniz, além do PP e do PT, PSD, PCdoB e PSDB “estão se agregando em torno” da petista.
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