11/11/2019 às 14h21min - Atualizada em 11/11/2019 às 14h21min

Presos não são torturados, eles se automutilam, diz chefe de órgão penitenciário

Juliana Ribeiro
Política Livre
Foto: reprodução
Responsável pela força-tarefa federal enviada aos presídios do Pará e acusada de uma série de casos de tortura, o diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Fabiano Bordignon, classifica as denúncias como alegações sem provas e diz que os presos têm se automutilado para colocar a intervenção em xeque.

“Nós estamos libertando os presos do julgo dos outros presos. Retomamos o controle, mas o crime organizado perdeu muito com a nossa chegada. As facções podem fazer isso, autolesão”, afirmou à Folha.

Bordignon, que é delegado da Polícia Federal, ocupa o cargo a convite do ministro da Justiça, Sergio Moro, que enviou a força-tarefa ao estado no fim de julho, um dia depois de a maior rebelião do ano, no Centro de Recuperação Regional de Altamira, terminar com a morte de 62 presos —parte deles decapitados.

No último mês, dois relatórios oficiais descreveram detalhes das supostas violações.

O primeiro é uma ação dos procuradores da República pedindo afastamento do coordenador da FTIP (Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária) no Pará, Maycon Cesar Rottava. Ele chegou a deixar o cargo por decisão cautelar da Justiça, mas retornou à função após recurso. Entre as práticas denunciadas estão empalamento e perfuração dos pés de presos com pregos.

Outro relatório, do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), diz que havia numa unidade um “calabouço da tortura” —ala de isolamento em que os detentos ficavam em meio a esgoto e bebendo água da privada. Lista agressões com cabo de vassoura e presos com dedos quebrados.

A permanência dos agentes federais no Pará foi prorrogada até o fim de janeiro
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