09/09/2021 às 13h57min - Atualizada em 13/09/2021 às 22h00min

Ponto alto do estresse: quando procurar ajuda

Muitas pessoas sentem seus efeitos através de problemas digestivos, como gastrite, úlcera, indigestão

SALA DA NOTÍCIA PAULA BATISTA
Pixabay
A pandemia da covid-19 não está atingindo apenas os contaminados, mas toda a sociedade, que já sente os efeitos colaterais de uma vida restrita, levada ao limite. Depois de vários meses, muita gente negligencia o estresse como fator desencadeante de doenças. Isso acontece também com pacientes que passaram pelos intensos tratamentos de combate à covid-19, por isso, a psicóloga do Pilar Hospital, Manuela Pimentel Leite, explica como o estresse age.
Segundo ela, o estresse se refere à demanda, ou seja, o organismo está sobre uma ou mais exigências e precisa se adaptar a elas. “Para fazer esta adaptação, o nosso organismo utiliza o eixo endócrino, que é ligado às glândulas, e conhecido como eixo hipotálamo-hipófise-supra-renal, ou seja, o sistema nervoso vai ativar, através de glândulas, a liberação de adrenalina e cortisol. É por meio desses hormônios que acontece uma ‘aceleração’ do nosso organismo para atender a demanda apresentada, que pode ser, por exemplo, as pressões pela pandemia, no ambiente profissional e familiar ou de aspecto financeiro e amoroso”, comenta.
O estresse se torna prejudicial quando se torna prolongado e a pessoa não resolve a demanda intensa, persistente. Neste caso, o organismo é tão exigido que o paciente sofre de fadiga e esgotamento. Muitos pacientes sentem seus efeitos através de problemas digestivos, como gastrite, úlcera, indigestão. “O sistema digestivo é revestido do início ao fim por um tubo muscular. Esta musculatura serve para empurrar o bolo alimentar até o reto e ânus e, ainda, para macerar o alimento. Esse movimento muscular é rítmico, que vai desde a cavidade oral, do esôfago, até o final do intestino. Uma vez que o estresse é agudo, é desencadeada uma desorganização do ritmo dessa contração, causando sensação de estômago estufado, dores no estômago, dor abdominal, entre outros. Pode acontecer, ainda, um aumento do suco gástrico, ou digestivo, causando azia, dor de garganta e, até mesmo, dor nos dentes”, diz.
            Quando o estresse está tão elevado é preciso contar com a ajuda profissional. “Ter um atendimento multifatorial pode ajudar muito os pacientes. É preciso avaliar o nível do estresse, baseado em sinais e sintomas. Os especialistas vão tratar a ansiedade a partir desta demanda. O estresse pressiona o organismo, que tenta gerar uma adaptação e apresenta sinais, como irritabilidade, alteração do sono, cansaço, alterações da resposta sexual e alteração na pele. Nestes casos, os especialistas avaliam o nível e a intensidade do problema e qual é a situação geradora do estresse, trabalhando na causa e orientação do paciente na resolução do problema”, avalia.
            Segundo a psicóloga, em alguns casos, além do acompanhamento psicológico, os pacientes podem precisar usar também uma medicação para o tratamento. “Nesses casos, com apoio de outros profissionais, como gastroenterologista e psiquiatra, por exemplo, é possível escolher a medicação mais adequada para cada caso, alguns relacionados aos medicamentos específicos para as alterações do trato gastrointestinal, para tratar todas essas queixas de dor de estômago e azia, prisão de ventre, diarreia, por exemplo. A outra linha seria dentro do diagnóstico da área de saúde mental, com os psicofármacos mais indicados para cada caso”, comenta.
            Conforme a especialista, o acompanhamento psicológico é fundamental. “Ele pode ajudar o paciente a melhorar a partir da causa do estresse. Por exemplo, os medos causados pela pandemia hoje em dia são um sinal muito comum que ouvimos no dia a dia. Todos os dias os profissionais estão lidando com com estas situações e, nestes casos, o acompanhamento psicológico vai ajudar o paciente com as crises de ansiedade, de medo, pânico, que possa estar sentindo, além de outros sentimentos tão latentes na vida de cada pessoa, para que possam ter mais qualidade de vida”, explica.
Aprender a gerenciar o estresse é muito importante. A psicóloga diz que cada pessoa lida com os fatores estressantes de forma diferente, mas algumas dicas podem ajudar. “A pessoa precisa fazer uma conexão entre o corpo e as emoções com mais frequência. Dormir pouco, ficar na internet durante a madrugada, se alimentar mal e não fazer atividades físicas prejudica o quadro do paciente e potencializa o estresse. As pessoas precisam de, pelo menos, meia hora diária de centralização, um processo para ficar em silêncio, praticar a introspecção e a reflexão. Muitas pessoas andam sem rumo e não sabem que o melhor momento para lidar com um problema é na hora que ele acontece, e não depois, apenas com as consequências”, avalia.
O primeiro passo para melhorar é procurar o atendimento adequado. Mas quando é hora de procurar tratamento? Manuela diz que “quando a pessoa se sente muito deprimido, muita insatisfação e problemas sentimentais que ocorrem com frequência. Quando, também, os familiares e amigos dizem com frequência que a pessoa anda muito desanimado, explosivo, irritado e que precisa procurar ajuda. Quando isso persiste e aumenta em intensidade já está na hora de procurar um especialista. Se o paciente demorar demais, o tratamento também será mais demorado. É importante sempre reservar um tempo para uma autoavaliação”, diz.
 
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